Concurso
Amigos, após mais uma edição do maravilhoso concurso “melhor motivo pelo qual minha filha chorou hoje”, compartilho o grande vencedor do dia.
Estávamos sozinhos em casa e, por conta disso, foi-se minha dignidade: naquele instante, me encontrava eu sentado no vaso sanitário com a porta aberta, enquanto minha filha ia e vinha livremente, ora falando “papai, você tá pelado de camiseta”, ora berrando “papai, enfiei o dedo na goiaba”, achei tudo bem razoável e segui fazendo o que precisava ser feito
Saí do banheiro reavaliando minha vida inteira, mas me enterneci com a cena dela fingindo que dava comidinha para jorge, nosso cachorro, que me olhava com olhos de socorro.
Vou para a cozinha, para finalmente montar um prato de comida e jantar, quando escuto berros vindos do banheiro.
“Nãããããão, nãããããão, nããão”
Pergunto o que a aflige enquanto vejo uma lágrima sincera escorrer pela bochecha esquerda, já alvejada por uma quantidade realmente incrível de frutas e demais resíduos alimentares.
“Eu não viiii, eu não viiiii”
Não viu o que, meu amor, pergunto eu, ainda sem conseguir dar a primeira garfada.
Nesse instante, as duas bochechas imundas já estão molhadas e os pés sapateiam de raiva em cima do tapetinho do banheiro, na beira da privada.
“Eu não vi o seu cocô antes de dar a descargaaaaaaa”
Pergunto se ela realmente está chorando porque não viu meu cocô e ela responde que sim, que eu havia prometido que mostraria (?) e que era pra fazer o cocô voltar.
Falei que “o cocô não volta mais" e por alguns milissegundos me perguntei se algum dia eu já achei que precisaria proferir essas palavras, nessa ordem, concluo que não e sinto sua mão tocar meus joelhos, pedindo colo.
Grudei seu peito no meu e pensei que eu poderia falar coisas mais escabrosas do que “o cocô não volta mais” se eu soubesse que no minuto seguinte eu a teria nos braços, com rosto encaixado no vão se forma entre meu pescoço e meu ombro e que há pouco mais de dois anos é dela.
Ela se recompôs, usou de guardanapo a camiseta branca que eu vestia e perguntou se eu podia prometer que a chamaria quando fizesse o próximo cocô. Me pareceu um boleto baratinho, assinei o contrato com gosto e, sinceramente feliz, comi o prato de comida já meio fria.
Turma querida, recados rápidos
Aos que entraram recentemente na lista de espera→ do Dinheiro Sem Medo, logo chego aí!
Aos que entraram recentemente na lista de espera→ do Pequeno Tablado, logo eu e a Vivi chegamos por aí!
Fiquem bem e um ótimo carnaval pra gente!





Nas manhãs em que fico sozinho, as interações no banheiro já viraram rotina. No começo, eu tentava convencê-lo a fazer outra coisa em outro lugar. Pedia uma música para a Alexa, para ver se ele ia para a sala atrás da música, ou nomeava os brinquedos na tentativa de fazê-lo ir procurar. Mas agora, admito com estranheza, eu gosto desses momentos. Ele costuma pegar um livro, sentar no chão do banheiro e me apontar imagens para eu dizer o nome do animal/objeto/etc, e repetir em seguida. Por vezes ele para, aponta para a privada, diz “cocô?”. Quando eu respondo “sim, cocô”, ele dá uma risadinha e volta a ler. Não vou contar nada disso para ele quando for mais velho para não constranger a ambos, mas até a falta de privacidade se tornou um momento especial.
Minha filha ficava triste quando ela não dava a descarga kkkk
Tenho pra mim que depois que a gente vira pais deveríamos pausar o uso de camisetas brancas. To com uma mancha que não sai porque o meu caçula cuspiu a comida cheia de molho no meu ombro.