Leveza
Amigos, na semana passada, abri uma caixinha de perguntas no instagram, para conversarmos um pouquinho sobre a carreira do planejador financeiro independente. Surgiu uma questão interessante que eu não tive tempo de comentar, então resolvi escrever um pouco por aqui.
A pergunta foi bastante direta e, em algum medida, filosófica: o que fazer para que a carreira seja leve? Para respondermos com a franqueza de sempre e, tão importante quanto isso, com o cuidado e a seriedade que a nossa classe profissional merece, preciso conectar minha resposta com a ponderação que me foi pedida por uma aluna da escola→, que contou que já nos ouviu falando por aí que “o planejador com 3 ou 4 anos de carreira está no começo…” e que ficou um pouco chocada.
Entendo o choque – a gente reclama quando a internet do avião não funciona e quando a IA demora mais do que 5 segundos para responder qualquer coisa, vivemos (e estamos construindo) tempos malucos –, mas sustento minha resposta: 3 ou 4 anos de carreira passam num sopro. É um começo. Talvez um começo sólido, relativamente vivido, com vitórias, tropeços, cansaços e retomadas de fôlego, mas ainda assim, começo.
Conecto esses dois pequenos episódios – a pergunta inicial e a o choque mediante minha conjectura sobre o início – porque, na minha visão, eles são indissociáveis. A leveza buscada por todos nós se constrói com os tijolos oferecidos pelo tempo.
Há quem diga que tempo não basta, porém. E eu concordo, mas retruco: embora não baste, é ingrediente imprescindível. Não conheço ninguém que tenha encontrado tal tranquilidade de maneira precoce.
Minto.
Há os iludidos – que em algum momento menos lúcido, somos todos nós.
A sensação de plenitude que eventualmente nos acomete nos primeiros passos de qualquer jornada é filhote do desconhecimento. Achamos que sabemos muito porque não sabemos o que há para se saber.
É uma dinâmica bastante ardilosa, no instante em que enfiamos a cara na bacia gostosa de autoconfiança, o narrador interrompe a cena e diz, com a voz grossa: “mal sabia ele o que estava por vir… ha-ha-ha” e de repente tomamos o tapa que nem sabemos de onde veio e estamos estatelados no chão.
Agora de maneira mais direta ao colega que, diga-se de passagem, está trilhando uma jornada maravilhosa e aproveitando cada gota da formação, eu desejo, em primeiro lugar, tempo e, na sequência e em grande medida, paciência, busca por sustentação técnica, comunidade e pé no chão.
Essa sensação que você busca – e que virá – se apoiará nesses pilares todos e na confiança de que seremos capazes de desfrutar dessa sensação de soltura, de caos. Me parece razoável buscar certa cisão: seguir com firmeza e tranquilidade embora acometidos por insegurança e angústia. Depender do desaparecimento desse desconforto para seguir com leveza seria ingênuo.
Li um texto do Oswaldo Montenegro em que ele diz que “aconteceu de repente, o personagem do Kafka acordou inseto, eu acordei idoso” enquanto discorre uma investigação singela acerca do momento em que se envelhece. Achei bonito a fricção entre a aceitação conformada da velhice e o espanto típico da juventude. Um bom lugar para se estar, mesmo antes dos 40, mesmo antes da segunda década de carreira. Envelhecer me parece ótimo.
Mas as costas doem.
Dia desses vi um vídeo da Liana Ferraz, escritora e artista que eu adoro, em que ela faz um panorama amplo de tudo o que está rolando do lado de lá. Farei igual, em breve.
Por enquanto, deixo o convite para aqueles que já atuam ou pretendem atuar como planejadores financeiros independentes, a lista de espera para a Nossa Formação 2027 está aberta→ . Estamos começando os contatos nessa semana!
Um abraço grande e seguimos,
Amuri





Exatamente, Amuri! Precisamente por esta razão você me intriga tanto. Como pode um rapaz com menos de 40 primaveras, articular como se tivesse dado 80 voltas ao sol?! hahaha Esse trecho aqui, pai amado: "Me parece razoável buscar certa cisão: seguir com firmeza e tranquilidade embora acometidos por insegurança e angústia. Depender do desaparecimento desse desconforto para seguir com leveza seria ingênuo." <3
Fico lisonjeado de que minha inquietação pode ser respondida nesse texto de forma poética e direta.
Desde cedo está ecoando aqui! Obg por isso
fessor